quarta-feira, janeiro 2

Exposição Catequética sobre a Divina Liturgia - Parte 2


O início da Divina Liturgia

Começa a liturgia dos catecúmenos. As cortinas das Portas Santas são abertas, e o diácono incensa cada lado do altar, dizendo em voz baixa as palavras relativas a notícia da ressurreição do Filho de Deus, narrando a visão do Sepulcro vazio, já sem o Glorioso Corpo do Senhor.

A incensação começa a partir do Trono (atrás do candelabro da Mesa Santa), e retorna a ele depois de incensar toda a igreja, como um símbolo de que o início e  o fim de todo o bem é Deus, que habita no trono.

Esta primeira incensação é acompanhada por uma leitura de Salmo 50 e do Tropário do templo.



Diz o Abençoado Simeão, Arcebispo de Tessalônica, sobre a incensação inicial:

“O Diácono, incensa tudo seguindo uma ordem precisa, ele não  queima meramente o incenso, mas sim oferta através deste incenso as orações da igreja, as  santificando, e através do incenso, ergue todas as orações até  Cristo, em forma de súplica. para que Ele conceda a nós a graça do Espírito Santo."

 Com estas orações litúrgicas desejamos ofertar a Deus o bom perfume de Cristo (2 Coríntios. 2, 15).
 O sacerdote, tendo feito três pequenas metanoias (sinal da Cruz e pequena inclinação) diz em forma de oração: “purifica-me, ó Deus, que sou pecador”.


Levantando as mãos, em forma de oração invoca o Espírito Santo:

"Rei dos Céus, Consolador, Espírito de Verdade, Tu que estás presente em tudo e enches tudo, Tesouro de bens e Doador da vida, vem e habita em nós. Purifica-nos de toda a impureza e salva as nossas almas, Tu que és bom".

Então, na seqüência é dita a doxologia angelical: «Glória a Deus nas alturas e Paz na terra, boa vontade entre os homens.» (Lc 2, 14), manifestando assim a sua boa vontade em aceitar a paz de Deus, concedida através da encarnação e dos sofrimentos do Salvador.  Assim o sacerdote ora para que desça sobre ele a  graça da oração: “Abre, Senhor, os meus lábios e a minha boca proclamará o Teu Louvor” (Sal. 51,17).

Então o sacerdote diz a exclamação inicial: «Bendito seja o Reino...»


Já com as primeiras palavras da Divina Liturgia, somos informados de que onde quer que estejamos, o serviço será realizando tendo como início as palavras mencionando o abençoado reino da Santíssima Trindade. Isso também é evidenciado em muitas outras partes da liturgia: em tropários, litanias, hinos, antífonas no  Trisagion inicial , nos Aleluias, nos Prokimenos, etc ...

Em todas essas ocasiões, há o sinal da nossa presença no reino da Santíssima Trindade.


                                                                      As súplicas.

“Em Paz, oremos ao Senhor.”  

Com estas  palavras temos início a Litania de paz.

Os fiéis no templo são incentivados a realizar suas orações por todo o mundo, clamando por paz e a tranqüilidade de espírito, com a consciência limpa, em concórdia, no amor mútuo.

Pedimos para nós a paz do Senhor, aquela a qual São Paulo diz “exceder todo o entendimento.” (Filipenses 4, 7), e nisso, pedimos auxílio para as nossas necessidades diárias, para que alcancemos a perfeição espiritual, e assim poder seguir o Senhor Jesus Cristo, que disse: "Sede perfeitos, como vosso Pai celeste "(Mt 5, 48).

O sacerdote em oração, com voz baixa,  pede ao Senhor que conceda clemência para aqueles que oram no templo: 

Senhor, nosso Deus, cujo poder é inexprimível e a glória incompreensível, cuja bondade é indivisível e o amor pelos homens inefável, Mestre, na tua benevolência, volve o olhar sobre nós e sobre esta santa igreja, e concede a nós e aqueles que rezam conosco os dons infinitos da tua misericórdia.” 

E termina os hinos de oração da Santíssima Trindade, proclamando:

“Porque a Ti pertece  toda Glória, Honra e Adoração, Pai, Filho, e Espírito Santo ...”

As orações lidas em voz baixa pelo sacerdote, têm um conteúdo profundamente dogmático, e nos tempos mais recuados da Igreja cristã, tais orações eram realizadas em voz alta,  para que todo o  povo pudesse orar através delas no templo.

Após esta oração, são iniciados os cantos das antífonas, separados por pequenas litanias, em três partes , em nova lembrança em honra da Santíssima Trindade.

Aos Domingos e em algumas festas, são cantadas as antífonas que tem como letra os Salmos 102 e 145 , assim como o texto retirado do Santíssimo Evangelho,as Bem Aventuranças(Mateus 5, 3-12).



A Igreja cumpre os apontamentos do Santo Apóstolo Paulo (Cl 3, 16):

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.”

Estas orações visam preparar os fiéis para receber os ensinamentos sublimes da Igreja, sobre a Encarnação, a Palavra de Deus, que estão contido no tropário "Ó Filho Ungenito, Verbo de Deus ..." Neste hino é expressa a plenitude do zelo de Deus pela salvação da humanidade, através da vinda ao mundo do Seu Filho,  que era predito pelos Profetas do Antigo Testamento, pois na encarnação através da  Santíssima Mãe de Deus, se deu a revelação do mistério da economia de Deus para a salvação do homem: a pregação dos ensinamentos de Deus, o sofrimento voluntário e a crucificação do Salvador, que  venceu o pecado e a morte. "

Sobre este hino (que foi composto pelo Santo imperador bizantino Justiniano), diz São João de Kronstadt:

“Você ouviu ? Deus encarnou por você, Ele se fez  homem por você... Você compreende o que significa isso ? Você se prostra ao chão para o exaltar, com lágrimas nos olhos?”

 Após o canto da primeira Antífona, há uma pequena litania, e em seguida o sacerdote recita uma prece, novamente em voz baixa para a salvaguarda da plenitude da Igreja, e para que Deus santifique todos aqueles que amam a Beleza da casa de Deus.

Após a segunda pequena litania, diz o sacerdote:

“Senhor Deus nosso. Tu que nos concede a graça de unir as nossas vozes para te dirigirmos em comum estas orações e que prometeste atender as súplicas de dois ou três reunidos em teu nome...” (Mateus 18, 19, 20).

É apenas em nome de Cristo que os cristãos podem dignamente glorificar a Deus, ofertando os seus sacrifícios sacramentais.

A Terceira Antífona,as Bem-Aventuranças, começa com as palavras sábias do ladrão:

Em Teu Reino Lembra-Te de Nós, ó Senhor.”




O Evangelho também nos apresenta a resposta de Nosso Senhor ao ladrão :"Em verdade eu te digo: Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23, 42, 43).

Nós, ao cantarmos as palavras do ladrão, também temos a esperança de estarmos com o Senhor em Seu reino.

As bem-aventuranças que seguem, são nove preceitos evangélicos, o que há de mais importante no que foi ensinado pelo Salvador em Seu Sermão da Montanha (Mateus 5, 2-12). 

Nesses preceitos temos o caminho que leva o homem a perfeição da vida espiritual em Cristo, pois um verdadeiro discípulo do Senhor, pede misericórdia para si mesmo, deve ser humilde de espírito, manso, justo, paciente, misericordioso, nos julgamentos, ser fiel ao  sacrifício pelo Senhor.

Ao fim da Terceira Antífona, se aproxima a Pequena Entrada.




A Pequena Entrada
(Procissão do Evangelho)


Há muitos símbolos presentes na Pequena Entrada.

Quando das portas diaconais saem o acólito com uma vela, seguido pelo Diácono com o Evangelho, o sacerdote, novamente em uma oração com a voz baixa, diz :

“Soberano Senhor, nosso Deus, que estabeleceste nos céus as legiões e exércitos de anjos e arcanjos para o serviço da tua Gloria, faze que juntamente com a nossa entrada se faça também a dos teus santos anjos, que conosco concelebram e glorificam a tua bondade.”

O criador da Liturgia, São João Crisóstomo, escreveu: 

"Agora os anjos se alegram, agora os arcanjos exultam, os querubins e os serafins estão celebrando conosco nesta festa ... Embora eles já estejam na graça do Senhor, eles compartilham conosco neste instante uma alegria comum."

Nós, como Igreja militante na terra, concelebramos com a Igreja triunfante no céu. Nós somos um povo pecador, e para que possamos oferecer a " paz da Misericórdia, o Sacrifício de louvor" é necessário que concelebremos com os  anjos e santos.

Está registrado na vida santificada de São Serafim de Sarov, que em uma Divina Liturgia, o abençoado viu a procissão do Salvador, seguido por um exército de anjos e santos.

“Bendita seja a entrada dos Teus Santos”,  diz o sacerdote para que o diácono possa adentrar no Santuário pelas Portas Santas.




Símbolos:

Quando o Evangelho é retirado da Mesa Santa, este momento representa o Cristo iniciando a Sua pregação para o mundo. A vela, que antecede o Evangelho, simboliza São João, que é o Precursor, aquele que anuncia o Senhor. (Jo 1, 27).

Antes de retornar ao Santuário pelas Portas Santas, o Diácono diz em voz alta, clamando: SAPIÊNCIA. De pé! .

Este é um apelo para que todos os crentes cultivem a simplicidade de coração, e se mantenham de pé em reverência, para ouvir a sabedoria de Deus, revelada ao mundo na pregação do Salvador. 

Então se canta : “Vinde, Adoremos e prostremo-nos, Diante de Cristo.”

Após a Pequena Entrada ser concluída, são cantados os kondakions e tropários próprios daquele dia.

FONTE: O Cetro Real

Continuidade da série de postagens destinadas a fazer uma exposição catequética sobre a Divina Liturgia.
Os artigos são adaptações da série de palestras catequéticas elaboradas peloPresbítero Basílio Gelevan, pároco da igreja Santa Zenaide (Patriarcado de Moscou, Rio de Janeiro), que foram ofertadas aos fieis em domingos seguidos, após a celebração da Divina Liturgia e publicadas no Blog O Cetro Real do Diácono Marcelo Paiva.

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